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A Quaresma em Loriga (1)
A Quaresma em Loriga, foi sempre um período de verdadeira manifestação
religiosa, de muita fé e muita devoção. Mesmo hoje apesar de os tempos
serem outros, continua a verificar-se o mesmo espírito religioso, tal
como outrora, continuando-se a realizar todos os actos litúrgicos,
próprios desta quadra dolorosa da igreja católica que sempre se
conheceu. É certo também, que nos tempos passados, a quadra da Páscoa em
Loriga era na realidade diferente, como podemos aqui testemunhar e ao
mesmo tempo recordar. Recordamos pois aqui, o período da Quaresma em
Loriga, nomeadamente as duas últimas semanas, onde podemos conjugar o
passado e o presente.
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Chegava a ser
surpreendente a azáfama da população da Vila de Loriga, com a
aproximação da quadra da Páscoa. As pessoas uniam-se em comunidade
limpando bem as ruas, as mulheres esforçavam-se numa barrela mais
completa às suas casas, ornamentando as prateleiras com papeis coloridos
e decorativos, onde os alumínios eram postos a brilhar. As toalhas
brancas eram colocadas nas mesas, pois tudo tinha que estar bem esmerado
para quando da chegada do Senhor na sua Visita Pascal, no Domingo de
Páscoa.
Espiritualmente, o povo também se preparava, ninguém faltava à chamada
"desobriga" até mesmos os menos praticantes não o deixavam de o fazer,
toda agente queria cumprir com as suas obrigações para com o Senhor.
Nesses tempos a população era muita, por isso para as confissões, vinham
sacerdotes das terras vizinhas ajudar o Pároco de Loriga. Por
conseguinte as comunhões atingiam também números significativos e
bastante elevados.
Durante a Semana Santa, nas proximidades dos fornos públicos da Vila,
pairava sempre no ar o cheirinho aos bolos:- broinhas; biscoitos; pão de
Ló, bolo negro e outros, que eram as doçarias tradicionais feitas
exclusivamente para essa altura.
Nos dias que antecediam o Domingo de Ramos, era quem mais procurava os
melhores e maiores ramos, toda a gente queria ter o seu ramo para benzer
nesse Domingo.
A concentração de toda a gente com os seus ramos era no Largo do Santo
António, dali saía em cortejo para a Igreja Paroquial, alguns, mais
pareciam autenticas oliveiras, que faziam com que o senhor padre ficasse
com um certo mau humor, ao ver entrar na igreja tão grandes ramos.
Horas antes, grupos de jovens e mesmo homens, percorriam os seus ramos
pelas ruas da povoação, cantando o "Rogai por Nós" arreliando por vezes
os mais desafortunados, um ritual tradicional de tempos passados que
hoje fazem parte apenas de recordações.
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