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Aspectos do Traje Popular
nos arredores de Braga na mudança do século (XIX-XX)

 

Lídia Máximo Esteves
Angélica Cruz Barreto

(Continuação...)

Trajes do Minho - Trabalho - Homens e MulheresO traje de trabalho também designado por traje de cotio ou traje da semana, vestia-se como o próprio nome indica, durante a semana, para trabalhar. Com características próprias, de acordo com a função a que se destinava, havia de reflectir a imagem que a comunidade tinha acerca do trabalho e as relações sociais construídas segundo esse modelo.

O apreço pelo acto de trabalhar é uma constante própria da sociedade rural, apesar da exigência de árduo e permanente esforço físico. Embora, como notou Lidón Tolosana, o trabalho não seja considerado como um objecto em si mesmo, isto é, um ideal de vida, mas um meio para alcançar riquezas que permitirão, viver sem trabalhar, a verdade é que «ser trabalhador» é uma qualidade moral exigida a qualquer um. Ao ponto de estar sempre presente como referente simbólico para um «bom partido de casamento». A imagem da moça casadoira era a daquela que, além de «teres», havia de «comer no avental», isto é, possuir no quotidiano, hábitos de vida que a não diferenciassem muito da jornaleira ou da serviçal.

O trabalho unia abastados e jornaleiros numa cadeia de interdependência criadora de intimidades e laços de solidariedade geradoras duma quase uniformização do trajar.

 O traje de trabalho oculta diferenças sociais.

O traje de lazer, de cerimónia, acentua-as.

Se na festa se admite o dispêndio, como atrás, referiu, fora dela, é um acto condenável pela opinião pública. Murmura-se, sancionando o acto de esbanjar. E é esbanjamento o gasto de economias em roupagens para vestir aqueles que se ocupavam, segundo a expressão popular, em «trabalho sujo».

Usavam-se nessa época, para a confecção de trajes de trabalho, materiais produzidos pelo próprio grupo doméstico, ou tecidos de algodão, de baixo preço, como os cotins, as chitas e os riscados, que se estreavam ao domingo ou numa ida à feira, passavam a «semaneiros» depois de usados, acabando em cueiros para os filhos ou agasalho para os pobres.

Raríssimos trajes escaparam a tão intenso e desgastante percurso.

Felizmente, restaram fotografias que pesquisamos e seleccionamos (…) e do seu contributo para o estudo do traje desta região falam elas próprias.

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