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(Continuação...)
O traje de trabalho também designado por traje de cotio ou traje
da semana, vestia-se como o próprio nome indica, durante a semana, para
trabalhar. Com características próprias, de acordo com a função a que se
destinava, havia de reflectir a imagem que a comunidade tinha acerca do
trabalho e as relações sociais construídas segundo esse modelo.
O apreço pelo acto de trabalhar é uma constante própria da sociedade
rural, apesar da exigência de árduo e permanente esforço físico. Embora,
como notou Lidón Tolosana, o trabalho não seja considerado como um
objecto em si mesmo, isto é, um ideal de vida, mas um meio para alcançar
riquezas que permitirão, viver sem trabalhar, a verdade é que «ser
trabalhador» é uma qualidade moral exigida a qualquer um. Ao ponto de
estar sempre presente como referente simbólico para um «bom partido de
casamento». A imagem da moça casadoira era a daquela que, além de
«teres», havia de «comer no avental», isto é, possuir no quotidiano,
hábitos de vida que a não diferenciassem muito da jornaleira ou da
serviçal.
O trabalho unia abastados e jornaleiros numa cadeia de interdependência
criadora de intimidades e laços de solidariedade geradoras duma quase
uniformização do trajar.
O traje de trabalho oculta diferenças sociais.
O traje de lazer, de cerimónia, acentua-as.
Se na festa se admite o dispêndio, como atrás, referiu, fora dela, é um
acto condenável pela opinião pública. Murmura-se, sancionando o acto de
esbanjar. E é esbanjamento o gasto de economias em roupagens para vestir
aqueles que se ocupavam, segundo a expressão popular, em «trabalho
sujo».
Usavam-se nessa época, para a confecção de trajes de trabalho, materiais
produzidos pelo próprio grupo doméstico, ou tecidos de algodão, de baixo
preço, como os cotins, as chitas e os riscados, que se estreavam ao
domingo ou numa ida à feira, passavam a «semaneiros» depois de usados,
acabando em cueiros para os filhos ou agasalho para os pobres.
Raríssimos trajes escaparam a tão intenso e desgastante percurso.
Felizmente, restaram fotografias que pesquisamos e seleccionamos (…) e
do seu contributo para o estudo do traje desta região falam elas
próprias. |