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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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(..) Natureza e tradição valorizam terra de Miranda

Miranda do Douro conserva uma identidade cultural e um património natural que a tornam única. E que começa a atrair milhares de visitantes, dinamizando a vida económica local. A aldeia de Palaçoulo é um caso de sucesso.

Um escritor francês do século XIX maravilhou-se com o espectáculo das juntas de bois a puxarem para terra as redes e os barcos da arte da xávega. E escreveu a propósito do que vira na costa de Aveiro: "Estranho país, este, onde os bois vão lavrar o oceano..."

Se tivesse visitado o planalto mirandês encontraria ainda maiores motivos de espanto. Aqui os homens vestem saias para dançar coreografias guerreiras ao som de gaitas de foles primitivas. Os burros só o são de nome. A carne de vaca é comida à posta. A imagem do Menino Jesus da Sé de Miranda usa espada e cartola. E, sobretudo, fala-se e escreve-se doutra forma.

'La lhengua mirandesa' é tão antiga como Portugal. Deriva do leonês medieval e não é de excluir que D. Afonso Henriques tenha negociado nesse idioma o tratado de Zamora com o seu primo, o rei leonês, Afonso VII, em 1143. Em Janeiro de 1999 o mirandês foi reconhecido como segunda língua oficial portuguesa, sendo ensinado nas escolas locais, utilizado nas placas toponímicas, etc. Recentemente o planalto mirandês esteve em foco quando os jornais, rádios e televisões descobriram que havia uma aldeia sem desemprego.

Como refere o geógrafo Carlos Ferreira, Palaçoulo conseguiu reproduzir, à escala, o modelo da revolução industrial: juntar, de forma eficaz, os recursos e os saberes locais. Uma natureza quase intocada oferece as madeiras ideais para fazer pipos capazes de acolher os melhores vinhos do mundo. E, das "palaçoulas", as navalhas com lâmina de fechar que os homens levavam para o campo, nasceram novos produtos: navalhas modernas, faqueiros, etc.
(...)
O facto de Miranda ser uma terra diferente - e de se orgulhar disso - gera um potencial turístico que só ainda parcialmente está a ser explorado. Exemplos a reter são a recuperação do burro mirandês, animal dócil, forte, meigo e inteligente a partir da aldeia de Atenor, onde funciona a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA). Esta promove passeios e iniciativas de divulgação da raça muito frequentados. Sendim é um centro produtor de artesanato e local da realização, em Agosto, do festival de música inter-céltico.

Ligado à realização desta iniciativa está o Centro de Música Tradicional, agregado ao qual funciona a editora discográfica Sons da Terra, com impressionante trabalho de recolha das tradições locais. E para as apreciar localmente, nada melhor que visitar Aureliano Ribeiro, na aldeia de Constantim, mestre da gaita-de-foles, da flauta pastoril e do tambor.

Como explica Mário Correia, fundador do Centro de Música Tradicional, sempre houve uma continuidade cultural entre o planalto mirandês e a vizinha meseta leonesa e castelhana. Isso tanto se passa na música como no resto. Localmente fala-se na "raia" em vez da "fronteira", e "dos de Fermoselle ou de Moveros" em vez "dos espanhóis". Esta globalização ibérica é levada ainda mais longe nos cruzeiros turísticos às arribas do Douro Internacional. O empresário é espanhol, a tripulação do barco é mista e os guias mudam de uma língua para a outra como quem pisca os olhos. 60 mil visitantes anuais provam o acerto da escolha.

 

Rui Cardoso


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