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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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A Tradição em debate
 

 

Lino Mendes (Portugal)
 

Entre as designações dadas a povos migrantes que abandonaram as suas terras defrontando as maiores dificuldades para garantirem a subsistência, temos entre outros, os RATINHOS, os GAIBÉUS e os CARAMELOS - que assim nos são definidos:

Ratinhos eram os trabalhadores rurais que periodicamente, integrados em ranchos, se deslocavam das Beiras e da região do Vale do Zêzere para as actividades agrícolas sazonais que tinham lugar a sul, designadamente nos campos do Alentejo e da Borda-d’água.

Gaibéus, que são os jornaleiros da província portuguesa do Ribatejo ou da Beira Baixa que vão trabalhar nas lezírias durante as mondas. Sobre os mesmos fala no seu primeiro romance  Alves Redol  que inaugura, em 1939, o neo-realismo em Portugal.

Retrata "um povo resignado que luta afincadamente durante o tempo quente, antes da chegada do Inverno, em condições extremas para fazer render os poucos cobres que lhes pagam por tamanha dureza. Por um lado o trabalho árduo de sol a sol, as doenças  (malária), a fadiga e a teimosia em cada vez se fazer o trabalho mais rápido para mais rendimento obter, a sede, a fome, a pobreza extrema. Por outro lado, o modo como preenchiam as escassas horas de lazer, os sonhos de uma vida melhor, os projectos sem logro, o vinho para alegrar os espíritos.

Com muita vontade de trabalhar, os primeiros Caramelos a chegarem ao concelho da Moita, desde finais do século XVIII até meados do século XIX, começaram por limpar os matos e pinhais da Barra Cheia, Arroteias e Brejos, transformando-os em terras férteis, apropriadas às culturas de sequeiro e ao plantio da vinha. Após as colheitas, regressavam às suas terras de origem nos concelhos de Cantanhede e Mira, regressando novamente na próxima campanha de trabalho jornaleiro, razão pela qual eram chamados, pelas gentes da borda-d’água, de ''Caramelos de Ir e Vir''.

Ora, nestas três sínteses, encontramos três distintos surtos migratórios, em que nenhuma designação é sinónima das outras ou de uma das outras. Mas será assim? A mim e há uns bons anos, a designação “ratinho”foi substituída por “gaibéus em escrito enviado a jornal, mas aqui posso eu garantir que os mesmos (gaibéus) não chegaram.

Também uma vez, na Herdade de Rio Frio me disseram que tinham de facto lá chegado os “ratinhos”, mas que ali logo a cinco quilómetros já lhe chamavam “caramelos”. Mas será que o povo caramelo tinha alguma coisa a ver com o povo ratinho?

Esta é mais uma página da nossa “História do Tradicional” que importa esclarecer, e eu, sinceramente não tenho certezas. Claro que há outras designações, entre as quais as de avieiros”que aliás e segundo julgo, não são susceptíveis de quaisquer dúvidas, em especial quanto aos locais de origem e de destino. Mas para já, o esclarecimento, o debate salutar sobre “ratinhos”,”gaibéus” e “caramelos” é muito importante.

Nota: E aqui fica o convite para que outras pessoas se pronunciem.

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