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Etnografia e Folclore
Um Povo sem "Memória" não existe

Lino Mendes (Portugal)

Quando a todo o momento, e por  força do desejado  progresso, somos confrontados com padrões universais, nunca como hoje tão importante foi a  defesa da nossa identidade cultural. O que necessariamente passa pelo respeito das  nossas tradições, pelos usos e costumes daqueles que nos antecederam. E aqui, temos um relevante papel a desenvolver pelos grupos de folclore.

É preciso que no dia a dia, este país que é o nosso, vá sem construído em português. O que não significa o erguer de barreiras, a delimitação de fronteiras para além das “culturais”, porque é nas diferenças que o convívio entre os povos se consolida, e na  identidade  se reforça a evolução natural das coisas.

É a maneira de ser e de estar de um povo que o define. E, se quando hoje se pretende definir o que é um homem culto, várias interrogações se nos colocam, uma certeza de imediato se perfila - de nada importa a soma de conhecimentos se ignorarmos a identidade do meio em que nos inserimos.

E é esta verdade, que sem manipulações deve estar presente a partir dos bancos da Escola, que a criança só pode amar aquilo que não desconhece. E que se o desenvolvimento só coabita com uma  população culturalmente  evoluída, esta não assenta no desconhecimento das raízes que nos definem, no ignorar da memória do povo que somos.

Preservar, de modo algum significa  parar no tempo, antes garantir um ponto de referência  que não podemos deixar perder-se. E se recordar é viver, importa que HOJE se conheça o ONTEM para com mais consistência se construir o AMANHÃ. Não é, de modo algum, um indesejado saudosismo, mas os caboucos de uma existência firme na certeza da que um povo sem “memória” não existe.

Entretanto, o que são  a “etnografia” e o “folclore”, o que é a nossa “cultura tradicional”? O que deve ser, afinal, um “Grupo de Folclore”?

Sobre o assunto iremos “conversando” em artigos futuros. 

 

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