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Postal da Aldeia
Lino Mendes (Portugal)
Há quem não atribua à expressão “movimento folclórico” o mesmo
conceito que atribui a “movimento de folclore”, considerando que a
mesma entra já nos domínios da criatividade. No que me diz respeito, de
uma maneira geral, uso a segunda expressão “movimento de folclore”, embora considere que ambas têm o mesmo significado, já que folclórico,
ainda é sinónimo de folclore. Não sou, no entanto, detentor da verdade
absoluta…
Chamou-me também a atenção, que alguém se referisse a determinado grupo
enaltecendo o facto de o mesmo não só se dedicar ao folclore como também
à etnografia. Mas será que é possível, pergunto eu, no caso do grupo,
separar uma coisa da outra?
É
grande a confusão que por aí vai quanto ao conceito de etnografia, que
em meu entender merece uma reunião alargada para definição do mesmo, a
exemplo,
aliás, do que aconteceu com o folclore. Mas deixemos entretanto um
poucochinho do que em 1/10/1993 o nosso amigo Bertino Coelho Martins nos
dizia no jornal "O Almonda":
“Folclore, é a abstracção popular que vem até nós pelo ouvido e pela
vista: a fala, o canto, a dança; os usos e costumes, a tradição, a
devoção, a crença; as superstições e as lendas, tudo são manifestações
folclóricas;”
“Etnografia vem da matéria popular, isto é, tudo o que nos passa pelas
mãos, os trabalhos em todos os seus aspectos: o artesanato a
agricultura, a habitação, o fabrico do pão e do vinho, a caça e a pesca,
a fiação e a tecelagem, etc.,um sem número de trabalhos em que as mãos
intervêm, tudo é Etnografia.”
Claro que entre o Folclore e a Etnografia haverá alguns pontos de
contacto, mas podemos concluir que “os sentidos da vista e dos ouvidos
nas coisas populares nos conduzem ao folclore, enquanto os outros
sentidos, pelos trabalhos das mãos, nos dão a Etnografia”. |
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