[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub


A Páscoa no tempo e na História
 

 

Lino Mendes (Portugal)
 

(Continuação...)

Outro costume que também desapareceu, era o do “enganchar”. Rapariga com rapaz ou rapariga com rapariga, enganchando dedo mininho com dedo mininho diziam “enganchar, enganchar, para na quaresma fazer rezar”, e quem no domingo de Páscoa se deixasse enganar, isto é, se deixasse fazer rezar primeiro, - apontava-se e dizia-se Reza --lá tinha que dar o “folar”, que normalmente era um pacote de amêndoas .Mais tarde e ao enganchar já se dizia,”enganchar, enganchar, para na Páscoa fazer rezar”.

Os que” enganchavam” ficavam “compadres” (Compadres da Páscoa), e  o “folar” constavam sempre de amêndoas, mas no caso das raparigas estas ofereciam sempre mais qualquer coisa como por exemplo uma “gravata”,um “lenço” ou um “colarinho”que nesse tempo era desligado da  camisa. Claro que havia sempre retribuição daquele que fazia “rezar”.

Nalguns pontos do país também é dado o nome de “folar” a um bolo que se faz por esta altura (e não só, creio) mas foi hábito que por aqui não se enraizou No entanto, aí pelos anos 1945/50,o Mestre Alfredo, um verdadeiro artista na arte de padeiro, fazia um “folar” da  massa das “arrufadas”,que como se sabe é um  bolo pouco doce. De formato circular, levava ao centro um ovo e cruzando sobre o mesmo duas “asas” como as das cestas e naturalmente da mesma massa. Era então cozido no forno a lenha o que como se sabe lhe dava outro sabor.

Quanto à gastronomia, a ementa era a canja de galinha ou de peru (este em casas mais endinheiradas), e as ditas aves assadas no forno a lenha (que lhe dava um outro sabor). Á quinta e/ou à sexta-feira santa (dias em que não se comia carne) o bem tradicional arroz com castanhas. No que respeita a doces, as afamadas tejeladas, e os doces de amêndoa (os queijinhos e as tortas). Mas também nos falaram no chibo e no borrego assados (mas em fornos a lenha) havendo ainda quem nos fale, para o almoço, da sopa de pé de porco.

Durante muitos anos, a “Procissão dos Passos”que merecia uma enorme adesão, realizava-se no “Domingo de Ramos” para não coincidir com a que aqui ao lado se realizava em Cabeção. Durante a mesma que percorria a Rua do Comércio e a Rua da Misericórdia, estava assinalada a “Via-sacra” sendo cada uma das 14 “estação” marcada por um altar, que determinava uma paragem do cortejo, sendo então entoado um cântico alusivo ao acontecimento, com acompanhamento de algum instrumental - Contrabaixo (Chico Lourenço), Trompete (José Arlindo) e Clarinete (Fouchinha) enquanto o maestro Alves do Carmo emprestava a voz. O Sermão do Encontro” tinha lugar ou frente à Travessa dos Combatentes com o orador na varanda do Pailó (já numa segunda fase) ou então frente ao Moura (com o orador na varanda da casa deste). Era um momento emotivo, que sensibilizava mesmo os não crentes.

O “ Baile da Pinha”realizava-se no domingo anterior à Páscoa.

E na segunda-feira (de Páscoa) embora fosse dia de trabalho, era costume ir-se em grupo fazer “pique-niques” no campo, pelo que muitos nesse dia tomavam uma “empreitada” para poderem ir para a festa.

Domingo de Páscoa era altura em se realizavam muitos baptizados, mas em tempos mais remotos era Domingo de Pascoela a data escolhida, chegando a ser 45 no mesmo dia.

<<<Página anterior


»» Ler mais "Textos de Opiniões" de Lino Mendes

Pub

 

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster