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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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GENTES DE ANTIGAMENTE - Montargil - O Lazer
 

 

Lino Mendes (Portugal)
 

Não obstante o trabalho de sol a sol, e as mulheres ainda com o serviço da casa, que aí os homens da altura não tocavam, inventava-se sempre algum tempo para o divertimento, nomeadamente para o “balho” (baile ) e para os “Jogos”, estes de uma maneira geral mais para os homens. É o caso das “tabernas”, onde as mulheres não entravem, quando muito assomavam-se à porta a chamar “ o seu/sê homem”,e onde se bailava o “fandango” e se cantava a “desgarrada” e mais tarde o “fado”.

Mas falemos das “tabernas”( ou “ tascas”) como também se chamavam, como espaço de lazer que foram:

Hoje naturalmente desaparecidas, as mesmas desempenharam vincada função social num meio então ainda mais vincadamente rural como o nosso.

Existindo algumas também nos lugares rurais, (hoje a transformarem-se em progressivas aldeias) eram as tabernas da vila que ao domingo faziam o melhor negócio. Em especial as da Rua da Frente (hoje Rua do Comércio) e que então ao cair da tarde eram ponto de encontro entre os que procuravam trabalho ou o poderiam dar.

Mas a tasca era algo mais do que o ponto de encontro para questões de trabalho. Eram igualmente por assim dizer e até certa altura, como que a sua sociedade recreativa. Ali se jogava às cartas, ao xita e ao mil, assim como ao chinquilho, este com os tabuleiros no quintal ou à frente, se no campo. E como a telefonia foi luxo que só mais tarde apareceria, também de vez em quando se fazia ouvir o harmónio de uma escala( mais tarde de duas) ou a concertina( também de duas).E quase sempre também o realejo, que alguns chamavam de flauta/flaita ou gaita de beiços, e hoje chamam de harmónica.

Mas também na taberna e como já dissemos se bailava o fandango. Era aliás, ou quase porque o vinho lhe estava associado onde se cantava a desgarrada( só entre homens) e que mais tarde foi substituída pelo fado.

Entretanto, um dos entretenimentos da mulher era fazer “renda”. Aliás, mesmo quando iam à semana ou à quinzena, e quando à noite recolhiam ao “quartel”— por vezes a cabana de onde tiravam o gado— se não contavam histórias, faziam renda ou marcavam lenços para oferecer aos rapazes. Diga-se, aliás, que uma mulher quando casava tinha que ser uma verdadeira “dona de casa”, fazer a comida e saber mesmo fazer uma camisa, fazer umas ceroulas, e saber “arremendar”.

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