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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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CONVERSAS PARA UMA CULTURA DAS TRADIÇÕES ( 4 )

Lino Mendes (Portugal)

O Povo
            Um Povo

1) POVO não tem hoje o significado de “grupo social de estatuto mais baixo, de plebe”, podendo definir-se como o ”conjunto de pessoas de um lugar, de uma região, de um país”. Isto é, quando hoje falamos no POVO, não nos estamos a referir a uma classe ou camada social - e os da minha idade se lembram certamente do “clero, nobreza e povo” da nossa História - mas sim, de “um conjunto de indivíduos unidos entre si por laços comuns de ordem rácica, histórica, cultural, religiosa, etc”, digamos que de toda uma população independentemente da sua actividade e condição social.

Temos assim e por exemplo, o povo português que por sua vez é constituído por vários grupos étnicos ou culturais ,como o são as populações minhotas ,alentejanas, ribatejanas, algarvias e beirãs entre outras ,,que se consubstanciam nas diferenças que nos caracterizam e definem. Tendo cada uma delas algo que as caracteriza entre si, nem por isso deixam de internamente ter também as suas diferenças, o que mais enriquece a sua identidade.

Entretanto, e por se falar em “grupo étnico”, para Tomaz Ribas é esta a designação correcta a ocupar o lugar de “raça”, que hoje constitui um termo “sem verdade nem validade científica”, ”já que sobre o globo terrestre já hoje não existem raças puras. ”Desde há muitos milhares de anos que os povos se têm cruzado tanto e de tal maneira que já não é possível afirmar com verdade que um determinado grupo humano em determinado momento histórico se não cruzou com qualquer outro grupo humano.”

2) Falámos de POVO. Mas acontece que a Etnografia e o Folclore estudam não O POVO mas sim UM POVO (sinónimo de grupo étnico). É que a expressão POVO ”tem um significado social visto que se refere a uma dada camada da sociedade, aliás aquela camada da sociedade que engloba todas as classes que não são propriamente a burguesia”, enquanto a expressão “UM POVO ” “não tem exclusivamente um significado social, de classe social, mas sim um significado étnico. Digamos que ( a Etnografia e o Folclore) estudam  os  “usos e costumes”, as “tradições”, que aliás só os povos evoluídos têm. Os outros povos (não evoluídos) não têm ”tradição”, têm a sua “Cultura”, que em Ciências Humanas não  tem o significado de “soma de conhecimentos “,mas sim  o de “cultura ancestral” de um povo que não evoluiu.

Alguns exemplos: o fandango, o corridinho, a chotiça, o trajo de minhota ou de alentejano, um coral do Alentejo (para mais não citar) são FOLCLORE ”porque sendo manifestações populares são-no de um povo que vive dentro dos padrões sociais actuais usando das conquistas técnicas universais. ”Por sua vez, ”um batuque no interior da África, uma doença ou uma canção da Polinésia” não são Folclore, são Cultura de um povo primitivo, que não evoluiu.

A Linguística

3) A ETNOGRAFIA e o FOLCLORE não são a mesma coisa embora por vezes se encontrem, sendo ramos auxiliares da Ciência que é a ANTROPOLOGIA CULTURAL também designada por ETNOLOGIA—“que estuda um dado povo ou um dado grupo étnico ou social---um povo ou um grupo de uma dada região, zona ou área; desde um povo que constitua uma nação ou uma pátria ao povo de uma grande região geográfica, de uma província, de um concelho, freguesia (ou até, de um bairro) ou, ainda, aos elementos que constituem uma família (um clã) uma tribo ou até, uma comunidade.”

Outro ramo auxiliar da ETNOLOGIA é a LINGUÍSTICA, que neste caso não tem nada a ver com a gramática ou com o ensino de Línguas. ”O seu campo de estudo tem apenas a ver com dialectos regionais, modos específicos de falas desta ou daquela região, deste ou daquele grupo étnico— modismos— as várias diferenças de significado que ,por vezes ,uma mesma palavra tem desta para aquela região ou até quando empregada por pessoas de profissão ou condição social e cultural diferentes.”E lembremos aqui o dialecto ”mirandês” falado em Miranda do Douro (Trás-os-Montes), o “barranquenho”  em Barrancos  (Alentejo)ou “mindereco” em Minde(Estremadura) e ainda por vezes a diferença de pronúncia que se verifica de região para região - “leite” diz-se “lête”, ”vinho” diz-se “binho”, ”homem” diz-se “home”, ”fui à água” pronuncia-se “ fui à iàgua” (são exemplos).

Bibiliografia: ETNOLOGIA (1) - Tomaz Ribas - 1977

 
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