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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  CONVERSAS PARA UMA CULTURA DAS TRADIÇÕES (2)

Lino Mendes (Portugal)


Não é folclore tudo o que de folclore se diz

Os grupos ditos de folclore como que brotam de cada esquina, mas o grave, o mal  é que nem todos fazem jus a tal designação. Porque de folclore são todos e (apenas) aqueles que constituem um “ museu vivo das suas tradições, que assentam a sua representação num cuidado trabalho de pesquisa.

Certo que um grupo é sempre um sinal mais pelo que representa no campo do associativismo, mas um grupo de folclore é muito mais, é um defensor da nossa identidade é um promotor do conhecimento. E se até podemos aceitar que todos sejam cultura, há no entanto que separar as águas.

Há por vezes muita confusão quanto à definição de folclore mas os dicionários são claros e a UNESCO também o definiu. E para alguns estudiosos que em Novembro de 2001 se reuniram em Santarém precisamente para uma análise e clarificação do termo, FOLCLORE deve “ ser entendido como expressão da cultura tradicional. Entendendo-se como tradicional comportamentos, usos, vivências e valores que qualquer grupo social, relevante culturalmente, utilizou durante o tempo suficiente para impor a marca local, independentemente da sua origem e natureza.É evidente que os que ali estiverem nesse dia não deram, nem podiam dar, outro conteúdo ao termo Folclore, antes procuraram uma redacção simples, compreensível, às gentes simples, que em grande parte dão vida e alma ao mesmo.

Entretanto, é lamentável que em Portugal não haja uma Cultura da Tradição, que de outro modo não veríamos gente ilustre e mesmo dos grandes órgãos da comunicação social, considerarem “folclore” como” sinónimo de coisa de somenos, de coisa sem importância”, Mas isso acontece não obstante a Sociedade de Língua Portuguesa considerar que tal só se admite a um analfabeto ou pessoas de pouca cultura!

Com todo o respeito, mas se a Língua é a Nossa Pátria...

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