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A Toponímia e a Etnografia
- Olivença recupera toponímia portuguesa

 

 

Carlos Gomes(*)

A designação de um local ou sítio está invariavelmente ligado à sua descrição física ou associado a algum sucesso que ali tenha ocorrido ou a alguém que por algum motivo lhe tenha conferido notoriedade. Em face disso, podemos sempre daí retirar alguma informação que nos ajude a compreender as suas origens ou a sua natureza geográfica. Não admira, pois, que a toponímia constitua um dos auxiliares da História e da Geografia relacionando-se com a própria Etnografia.

O termo toponímia provém da junção das palavras gregas tópos e ónoma e que significa literalmente nome de um lugar. Pelas características do local que identificam, os topónimos podem agrupar-se segundo diferentes classificações, como sucede nomeadamente com os fitotopónimos e os hidrotopónimos, consoante se refiram a plantas ou a cursos de água.

De igual modo, a preservação da toponímia ajuda-nos na localização de vestígios históricos ou elementos geológicos que de outra maneira seria bem mais difícil. É o que sucede com os que fazem alusão à existência de um castro ou castelo geralmente escondido sob uma mamoa, a uma nascente de água divinizada ou a um local de passagem geralmente designado por porto ou portela e ainda a santuários de antigas divindades pagãs como Laraucus na serra do Larouco e Sintra em evocação da deusa da Lua.

De igual modo, também a onomástica se encontra intimamente associada à toponímia, tendo muitos topónimos estado na origem da formação de inúmeros apelidos que, com o uso, entre nós se tornaram patronímicos e matronímicos ou seja, o nome herdado por ascendência paterna ou materna. E, ainda que actualmente prevaleça a transmissão do apelido paterno, convém não desvalorizar as profundas raízes matriarcais da cultura galaico-minhota cujos vestígios são ainda bastante evidentes incluindo no carácter das gentes minhotas. Tomemos, a propósito, o apelido Dantas como evolução natural “de Antas” para onde derivou “d’Antas”, fazendo clara referência ao local a que o seu portador se encontrava ligado.

E, do exemplo antes demonstrado, podemos concluir que, de acordo com a fisionomia do local, também a toponímia se altera, distinguindo-se nomeadamente entre a serra e o vale, o interior e o litoral. Por outro lado, são evidentes as marcas resultantes dos diferentes povoamentos ou seja, dos povos e culturas que aí se fixaram, razão pela qual abundam no Minho topónimos de origem germânica – Bouro, de búrios – enquanto mais a sul é nítida a influência árabe, onde o topónimo Alcácer se substitui a Castro.

Em Ourém, à semelhança de outras localidades que outrora integravam os coutos de Alcobaça, predominam além dos fitotopónimos – Ramalheira, Sobreira, Freixianda – aqueles que remetem para a presença dos religiosos do mosteiro cisterciense – Casal dos Bernardos, Abades, Abadia – e também na onomástica das gentes locais os nomes Bernardo, Bernardino e Bernardina.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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