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Regionalismo em Portugal: alguns aspectos do seu percurso histórico

 

Carlos Gomes(*)

A origem do associativismo como forma de participação cívica remonta à segunda metade do século dezanove e deve-se sobretudo à influência exercida pelas ideias liberais e republicanas que, dessa forma, procuravam intervir na sociedade e adquirir influência. De resto, aliás, a própria Maçonaria incentivou a criação de numerosas colectividades com as mais diversas finalidades, utilizando-as como instituições “para-maçónicas”. A sua própria influência encontra-se bem patente em práticas ainda em uso em muitas associações, como sucede, nomeadamente, com a instituição do pagamento da jóia no acto de inscrição, a obrigatoriedade da proposta de adesão ser apresentada por um sócio proponente e até, nalguns casos, a exposição pública da ficha de adesão do proposto.

O associativismo regionalista constitui uma realidade relativamente mais recente e encontra-se intimamente associado ao fenómeno das migrações, caracterizado pelo êxodo das populações sobretudo dos meios rurais para os grandes centros urbanos, para o estrangeiro ou ainda os antigos territórios ultramarinos.

O crescimento da actividade industrial e comercial, a partir de meados do século XIX, exigiu um acréscimo de mão-de-obra que foi recrutada nas zonas rurais do interior. Por outro lado, a miséria e falta de ocupação nos campos atirava as suas gentes para a emigração, formando autênticas levas que partiam então com destino sobretudo ao Brasil. Acresce a isto a instabilidade política que leva ao derrube do regime monárquico e a desordem política e crise económica sempre reinantes durante o período de vigência da Primeira República.

A praga da filoxera destruiu os vinhedos nas encostas do Douro e afugentou as suas gentes sem meios de sobrevivência. Muitos minhotos rumaram a Lisboa procurando escapar a uma existência de miséria. O mesmo fizeram os transmontanos, os beirões e, de uma modo geral, todos aqueles que viviam nas regiões mais isoladas e pobres do interior e ainda sentiam forças para mudar o rumo à sua vida.

Consoante as suas aptidões a que não eram alheias as ocupações que detinham nas suas regiões de origem, os novos citadinos entregavam-se aos mais diversos ofícios. Assim, de Arganil vieram os leiteiros que são os actuais pasteleiros de Lisboa, de Tábua os padeiros, de Ovar as peixeiras ovarinas e de Tomar os construtores civis que ficaram conhecidos por “patos-bravos”. Os minhotos empregaram-se sobretudo na hotelaria e restauração depois de reconverterem as velhas tabernas e carvoarias que tomaram aos galegos enquanto os de Ílhavo continuaram a ser os marítimos sempre embarcados e a percorrer o mundo. Para as famílias mais carenciadas, o acesso à instrução era apenas possível através do ingresso num Seminário da Igreja Católica, situação recorrente nomeadamente no Minho e em Trás-os-Montes.

De início, o tempo escasseia para aqueles a quem o trabalho duro é a única forma de subsistência. Mas, aos poucos, alguns dos que migraram vão singrando na vida e alcançando maiores possibilidades económicas e estatuto social. Estão criadas, portanto, as condições objectivas ao aparecimento do associativismo regionalista. Na maior parte dos casos, as chamadas “casas regionais” aparecem sob a designação de grémios: Grémio do Minho, Grémio do Alentejo.

(*) Jornalista, Licenciado em História

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