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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Regimes autoritários servem-se do folclore como instrumento de propaganda

Carlos Gomes(*)

A maioria dos portugueses tomou pela primeira vez contato direto com o folclore dos países do leste europeu nos anos que imediatamente se seguiram ao 25 de abril de 1974. O restabelecimento de relações diplomáticas com esses países tornou possível a vinda a Portugal de inúmeras comitivas culturais que passaram por diversas salas de espetáculo da capital, não raras as vezes com direito a transmissão televisiva. Desde a extinta República Democrática Alemã à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, passando pela Hungria, Bulgária e Checoslováquia, não deve ter existido país do bloco socialista que não tenha enviado ao nosso país pelo menos uma representação folclórica.

Por essa altura, surgiram as chamadas “associações de amizade” com alguns desses países, de entre as quais se destaca a Associação de Amizade Portugal-URSS, as quais se destinavam a divulgar o modelo social e político desses países e os seus sucessos, nomeadamente através da realização de excursões e a difusão de material turístico e de propaganda.

Os grupos folclóricos provenientes desses países, na realidade grupos de dança ou de ballet folclórico como frequentemente se intitulavam, a alegria dos seus bailaricos e a execução exímia das suas danças, transmitiam-nos uma ideia de felicidade do seu povo e da preocupação com que as entidades estatais tratavam da cultura popular. O nível artístico das suas coreografias, os trajes e a maquilhagem dos seus componentes revelam uma ingerência que, no entanto, retira a originalidade á sua representação. Afinal de contas, tais grupos de ballet folclórico mais não constituíam do que um instrumento de propaganda dos respetivos regimes políticos, um tanto à semelhança do que também entre nós se verificou durante o Estado Novo.

Numa sociedade, extremamente pobre e conservadora como era o meio rural na Rússia e na Ucrânia no início do século XX, jamais a mulher podia dar-se a ousadias como aquelas que tais grupos apresentam nas suas atuações, desde o modo de trajar à execução de certas danças. Certo tipo de comportamentos, então considerados desonra à família, pagavam-se mesmo com a própria vida.

A maquilhagem, a uniformidade dos trajes, as saias demasiado curtas e as coreografias teatralizadas constituem alguns dos traços caraterísticos desses grupos que, entre os ranchos folclóricos portugueses, é motivo suficiente de crítica. Não obstante, tais grupos de ballet folclórico desfilam atualmente pelos mais consagrados festivais de folclore que se realizam no nosso país como se tratasse do folclore mais genuíno daqueles países.

À semelhança do que se verificou nos países do leste europeu, também em Portugal durante a vigência do Estado Novo, a cultura popular sofreu a ingerência bem-intencionada dos comissários do regime com vista a aperfeiçoar nomeadamente o folclore e o artesanato como parte integrante do nosso cartão turístico e formatando a nossa identidade cultural. Lá como cá, essa intervenção deixou marcas profundas no próprio folclore que explicam de certo modo o formato escolhido na organização de alguns festivais internacionais de folclore.

(*) Jornalista, Licenciado em História
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