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Organizadores de Festivais de Folclore
devem separar o trigo do joio

Carlos Gomes(*)

 

O folclore debate-se atualmente com dois problemas bastante sérios que colocam em causa a credibilidade do trabalho daqueles que procuram realizá-lo com seriedade: a persistente falta de qualidade de alguns grupos folclóricos e, situação mais grave, a forma como alguns grupos estranhos ao folclore procuram de forma mais ou menos explícita passarem-se por tal, ao ponto de introduzirem-se em festivais de folclore e etnografia.

Não existe nenhum meio de “certificar” os grupos de folclore nem de impedir o aparecimento de grupos estranhos ao folclore que, qualquer que seja a sua denominação e de forma menos honesta, se façam passar por autênticos grupos de folclore a tal ponto que não raras as vezes, conseguem ludibriar os organizadores de alguns festivais.

Porém, tal apenas se verifica porque os organizadores dos ditos festivais nem sempre estão atentos a quem vão convidar e não procuram verificar a qualidade da sua representação. E, em consequência dessa forma descuidada e menos responsável, a participação de grupos que, uma vez em cima do palco, acabam por vender gato por lebre à assistência que toma a representação como genuína, apenas vem descredibilizar a entidade organizadora do evento e os demais participantes no festival.

Esta situação prejudica o associativismo folclórico no seu conjunto, denegrindo o trabalho que é desenvolvido por muitos grupos folclóricos, etnógrafos e outras entidades ligadas ao folclore. Tal como sucede em relação à museologia, o primeiro objetivo deve consistir na guarda e conservação do nosso património cultural e só depois na sua divulgação, uma vez convenientemente analisado e devidamente contextualizado.

Mas, na sua divulgação, importa separar o trigo do joio, devendo os organizadores de festivais serem mais criteriosos na escolha dos grupos participantes e na elaboração do programa. E, quanto àqueles grupos folclóricos que desejam preservar a sua imagem, devem cuidar de saber previamente com quem vão partilhar o palco, as características do espetáculo e, se for caso disso, recusarem-se liminarmente a participar num evento que em nada os dignifica. Sem uma atitude firme, o folclore continuará a manter-se neste limbo e sujeitar-se à conotação pejorativa de que tem sido alvo!

(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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