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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  Organizações de Festivais Internacionais estão a importar falso folclore

Carlos Gomes(*)

Resultado direto do progresso tenológico e das transformações sociais, a evolução dos costumes e mentalidades dos povos na Europa e, de um modo geral, de todos quantos fazem parte da chamada cultura ocidental, não difere substancialmente. Nos finais do século XIX e começos do século XX, em toda a Europa a mulheres usavam um vestuário semelhante quanto às formas e dimensões, distinguindo-se apenas em relação aos motivos decorativos e outros adornos. O mesmo sucedia quanto ao seu embelezamento pessoal, aos seus gestos e comportamentos sociais, à forma de divertir-se e ao seu lugar na sociedade. E, o que era válido para a mulher era de igual modo válido para o homem.

Organizações de Festivais Internacionais estão a importar falso folcloreO desfasamento nos hábitos em diferentes países resultava sobretudo dos bens materiais que a sociedade tinha ao seu dispor, distância que foi sendo progressivamente encurtada com o desenvolvimento dos meios de comunicação, nomeadamente os transportes e a imprensa. Então, o comboio trazia até nós a moda parisiense e as ideias que fervilhavam noutros países da mesma forma que a imprensa nos dava conta das formas de viver de uma burguesia ociosa que procurava tirar os maiores prazeres da vida. Essa distância entre os povos de diferentes países era equivalente àquela que separava as gentes de diversas regiões do nosso próprio país, entre o litoral e o interior, a serra e o vale, a cidade e a província. Não obstante, os hábitos das gentes do povo não se alteraram significativamente, conservando-se a sua atitude contida e respeitosa, a sua fé e apego aos valores tradicionais que lhe foram transmitidos através de sucessivas gerações.

Quais depositários dos usos e costumes de antigamente, os ranchos folclóricos devem preservar com o maior rigor possível tais hábitos, transmitindo nas suas atuações de forma fidedigna a mentalidade do povo à época em que a mesma é representada. Pese embora a elevada quantidade de anacronismos de que enfermam muitos ranchos folclóricos, exige-se cada vez mais que os mesmos preservem a autenticidade daquilo que dizem representar, comportando-se com a dignidade que se impõe a quem procura transmitir um legado cultural das gerações que nos antecederam com a responsabilidade que tal função constitui.

Mas, se aos ranchos folclóricos portugueses se exige seriedade na sua representação, idêntica exigência se deve reclamar daqueles grupos que em representação de outros países preenchem os programas de festivais internacionais de folclore, alguns dos quais de autenticidade duvidosa mas que não deixam de impressionar os incautos. Desde a forma exuberante e algo fantasiosa à apresentação bastante produzida com maquilhagens e outros postiços, muitos grupos estrangeiros que vêm ao nosso país atuar a convite de ranchos folclóricos e outras entidades organizadoras de festivais apresentam as mesmas enfermidades que alguns dos mais deploráveis grupos que entre nós são verberados pelo mal que fazem ao folclore. Sucede, porém, que a pretexto de serem estrangeiros, a sua exuberância é tida como autêntica na cultura de outros povos, vendendo-se assim gato por lebre…

Tal como bem definiu o poeta Fernando Pessoa, carateriza-se como provinciana a atitude de deslumbramento por tudo quanto é estrangeiro. Na realidade, amesquinhamos o que genuinamente nos pertence e escarnecemos aqueles a quem deveríamos ajudar, ao mesmo tempo que, de maneira lorpa, importamos do estrangeiro o falso folclore, da mesma forma que importamos tudo o que consumimos, mesmo aquilo que não presta!

(*) Jornalista, Licenciado em História

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