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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Olivença: Alentejo Além do Guadiana
Olivença (Alto Alentejo). 
Território português sob administração de Espanha

 

Carlos Gomes(*)

Para além dos concelhos de Serpa, Moura e Barrancos, Olivença constitui uma das terras portuguesas que se situam na margem esquerda do rio Guadiana, embora numa situação de ocupação ilegal por parte de Espanha, já lá vão duzentos anos. Situado em pleno Alto Alentejo, Olivença dista escassos vinte quilómetros da cidade de Elvas, agora restabelecidos com a construção recente de uma nova ponte sobre o rio Guadiana que veio suprir a falta de comunicação causada pela destruição da ponte da Ajuda pelos exércitos espanhóis há trezentos anos, então envolvidos numa sangrenta guerra civil. Além da cidade de Olivença propriamente dita, o seu concelho  inclui ainda sete povoações, a saber: S. Francisco, S. Rafael, Vila Real, S. Domingos de Gusmão, S. Bento da Contenda, S. Jorge de Alor e Talega, este último recentemente elevado à categoria de município.

Apesar do esforço das entidades oficiais do país vizinho que procuram inserir o território de Olivença dentro da Extremadura espanhola, os usos e costumes das suas gentes não deixam de revelar as suas características genuinamente alentejanas, da mesma forma que a sua história e os seus monumentos afirmam bem da sua portugalidade. A comprovar a sua verdadeira identidade, o próprio Museu Etnográfico de Olivença, por sinal considerado um dos melhores museus portugueses do género, documenta de forma notável os modos de vida das suas gentes, o seu folclore, as habitações tradicionais, os utensílios de trabalho. Aliás, apesar da colonização forçada das suas gentes ao longo de dois séculos de ocupação, que incluiu a proibição do uso da Língua Portuguesa e o apagamento das suas raízes culturais, a Língua de Camões continua a ser preservada em muitos lares oliventinos e os grupos folclóricos ali existentes vão preservando como podem e lhes é permitido as tradições das suas gentes, nomeadamente os seus trajes característicos, as suas danças e cantares. E se mais e melhor não fazem, para além da repressão mais ou menos dissimulada a que se encontram sujeitos, tal facto também se deve à falta de permutas com outros grupos folclóricos portugueses e ao notório desinteresse a que têm sido votados sobretudo por parte das entidades que se reclamam representativas do folclore do povo português.

Olivença é território português desde que há mais de setecentos anos foi por D. Dinis, rei de Portugal e D. Fernando IV de Castela celebrado o Tratado de Alcanizes, o qual estabeleceu as fronteiras terrestres do nosso país, por sinal as mais antigas da Europa. Por conseguinte, o Estado português não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença, não tendo por esse motivo até ao presente ficado definida a fronteira entre os dois países naquela região, faltando inclusive colocar 100 marcos na delimitação fronteiriça entre os dois estados ibéricos.

Mais, reclama a devolução daquele território, devendo o concelho de Olivença passar a integrar, não apenas "de jure" mas também de facto, o território de Portugal. Toda a cartografia executada com rigor no respeito pela posição oficial do Estado português não apresenta qualquer demarcação fronteiriça naquela zona do rio Guadiana pela simples razão de que ela não existe. Contudo, permanecendo os direitos e mantendo-se a reclamação portuguesa, diversas entidades optaram por incluir geograficamente Olivença no território português, como aliás sucede com o "FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore português".

Olivença é, pois, um pedaço do Alentejo para além do rio Guadiana!

(*) Jornalista, Licenciado em História

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