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  Nem tudo quanto a concertina toca é folclore

Carlos Gomes(*)

 

O Minho caracteriza-se no que ao folclore e à etnografia diz respeito pelo colorido exuberante dos seus trajes e a alegria jovial das suas danças e cantares. Não existe, porventura, região do país onde a representação do folclore seja vivida tão intensamente nas suas festas e romarias, aliando o seu esplendor à beleza inigualável das suas paisagens verdejantes, salpicadas aqui e acolá de pequenas capelinhas aonde o povo acorre em sincera devoção.

Tocador de concertinaViana do Castelo reclama para si o título de “capital” enquanto Ponte de Lima se considera o “berço” do folclore. Um pouco por todo o lado, surgem grupos folclóricos com as suas tocatas e o seu renque de moças garbosas exibindo vestindo os seus trajes domingueiros de lavradeira. E o povo não se cansa de os ver a actuar, uma vez após outra, executando o vira e a chula, a rusga e a cana-verde, danças cuja coreografia todos já saber de cor.

Os denominados ranchos folclóricos não constituem criações genuínas do povo porquanto a sua existência apenas corresponde a uma tentativa de preservação de um património cuja sobrevivência se encontrava ameaçada pela sociedade moderna. Por conseguinte, a sua existência corresponde a uma forma de musealização de um passado sobretudo rural. Mas, ao atravessar diferentes períodos históricos, o folclore foi submetido às mais variadas intervenções com vista a servir os propósitos de diversos regimes, tanto como veículo ideológico como instrumento de propaganda e de promoção turística.

Ao tempo da I República cuja implantação agora se celebra, serviu o folclore para emprestar o seu colorido em desfiles e certames industriais e como fantasia carnavalesca muito ao gosto da burguesia urbana a substituir a grosseira figura do xexé. O Estado Novo, porém, foi mais longe ao pretender aperfeiçoá-lo, introduzindo modificações visíveis nos seus trajes, nas músicas e nas coreografias, por assim dizer estilizando-o!

E, sendo a maioria dos trajes do Alto Minho porventura os mais vistosos e as suas danças as mais animadas, foi seguramente o seu folclore dos mais afectados com o intervencionismo cultural do regime que deixou profundas marcas que parecem ter ficado para sempre. Pese embora o elevado número de grupos folclóricos existentes na região, o trabalho de pesquisa e análise é praticamente inexistente, limitando-se muitos deles a reproduzir mecanicamente velhos reportórios tomados como inquestionavelmente verdadeiros.

Grupos folclóricos existem que se apresentam publicamente muito bem fardados – mas não trajados! – e por vezes exibindo peças de vestuário que não correspondem à região que dizem representar, quando não incluem fantasias e acessórios estranhos ao elemento original. Enquanto eles cobrem a cabeça com um chapéu à toureiro, elas fazem rodopiar as saias de forma a exibirem a intimidade com uma ousadia impensável para a mulher dos finais do século XIX. E, à falta de melhor receita para obter sucesso junto da assistência, até já existe quem inclua na sua representação deploráveis cenas de embriaguez como se de folclore se tratasse.

A dificuldade que, em regra, se revela na aceitação da crítica impede-os de fazerem um trabalho sério que se torne verdadeiramente útil para o folclore, assente na investigação e não mais no copianço e na imitação. Não basta tocar a sarronca para que se possa dizer que é folclore!

(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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