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Nábia: a deusa pagã que dá o seu nome
aos rios Neiva e Nabão

Carlos Gomes(*)

 

No princípio era o Caos… entretanto, na ânsia de encontrar uma explicação para os fenómenos da natureza que o rodeiam, o Homem concebeu inúmeras divindades que além de representar os atributos de tais fenómenos passaram ainda a revelar emoções e sentimentos próprios dos humanos uma vez que eram construídos à sua imagem e semelhança.

Nábia: a deusa pagã que dá o seu nome aos rios Neiva e NabãoEntre tais divindades, Nábia foi uma das divindades mais veneradas na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que atualmente corresponde a Portugal e à Galiza, durante o período que antecedeu à ocupação romana. Na mitologia céltica, Nábia, era a deusa dos rios e da água, tendo em sua honra o seu nome sido atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga [ na imagem ]e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a atual cidade de Santarém.

Bem vistas as coisas, são em grande parte do rio Nabão e suas nascentes as águas que, por intermédio do rio Zêzere, o rio Tejo leva ao Oceano Atlântico, junto a Lisboa. É, pois, nas águas cristalinas do rio Nabão que habita a deusa Nábia e, nas suas margens, que Santa Iria encontrou o eterno repouso.

(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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