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Requiem pelo Museu de Arte Popular

 

Carlos Gomes(*)

O Museu de Arte Popular encerrou as suas portas para dar lugar ao “Museu da Língua Portuguesa”. Ao contrário do que se verifica noutras capitais europeias, o povo português deixou de possuir em Lisboa um espaço museológico onde dava a conhecer as suas tradições mais genuínas, o seu artesanato e os seus trajes característicos, enfim os seus usos e costumes. Entretanto, a actual ministra da Cultura veio a público garantir que aquele espaço continuará a alojar o referido Museu de Arte Popular, embora renovado e em moldes actuais, o que também de algum modo nos parece uma contradição atendendo a que os critérios museológicos que presidiram à sua organização também valem por si mesmos em termos de preservação do património cultural uma vez que marcam uma determinada época.

Constituído em 1948, no âmbito da Exposição do Mundo Português, então com a designação de “Pavilhão da Vida Popular”, o seu acervo reunia um conjunto de peças que foi apresentada na Exposição de Arte Popular Portuguesa que teve lugar em Genebra, em 1935. O seu espólio repartia-se por diferentes salas dedicadas às mais diversas regiões do país e ainda um espaço para exposições temporárias, nelas predominando as cerâmicas e as alfaias agrícolas, os trajes e instrumentos musicais tradicionais, a joalharia e as artes de pesca, as carroças e a cestaria, a maioria das quais recolhida nos começos do século passado.

Como complemento do Museu de Arte Popular, funcionava no espaço exterior uma feira de artesanato denominada por “Mercado da Primavera”, tendo mais tarde mudado o nome para “Mercado do Povo”. Constituía um espaço de animação e divulgação da cultura tradicional, acorrendo àquele local numerosos artesãos vindos de todo o país, incluindo a célebre Rosa Ramalho, criadora dos galos de Barcelos.

A decisão de ali instalar o Museu de Arte Popular coube ao ministro António Ferro e o edifício foi originalmente concebido pelo arquitecto Veloso Reis, tendo posteriormente sido sujeito a remodelação com vista a acolher o museu, tendo o projecto de adaptação pertencido ao arquitecto Jorge Segurado. O Museu de Arte Popular constituiu seguramente o exemplar mais representativo das concepções museológicas e ideológicas do Estado Novo, facto que só por si justificaria a sua continuidade e preservação. Porém, não foi esse o entendimento das entidades governamentais, a começar pela anterior ministra da Cultura que preconizava inclusivamente a sua demolição. Ao que tudo indica, o seu espólio foi transferido para o Museu de Etnologia, do qual ultimamente fazia parte como “Núcleo de Arte Popular”.

Incapazes de conceberem de raiz, em tempo útil, um edifício adequado ao projectado Museu da Língua Portuguesa e para não ficarem atrás do Brasil que já concebeu uma iniciativa idêntica, o Ministério da Cultura optou por aproveitar para esse fim uma obra que não apenas do ponto de vista histórico, como arquitectónico e escultórico nos remete para a estática defendida pelo Estado Novo. Na realidade, à excepção do Mosteiro dos Jerónimos, quase toda a área de Belém foi concebida nessa época para a realização da Exposição do Mundo Português, incluindo a fonte luminosa e o Padrão das Descobertas. E, não tivesse o Pavilhão de Honra e de Lisboa da referida exposição sido construído em material perecível, não teríamos entretanto assistido às polémicas estéreis que envolveram a construção do Centro Cultural de Belém.

Na realidade, o Museu de Arte Popular nunca foi visto com agrado pelas entidades responsáveis que quase sempre o deixaram ao abandono e a necessitar de obras de restauro. O Mercado da Primavera foi extinto e o seu espaço vandalizado, praticamente nada restando da sua decoração original. No entanto, apesar da sua escassa divulgação, sempre atraiu visitantes nacionais e estrangeiros e os seus responsáveis acarinharam vários grupos folclóricos que ali se deslocavam ou procuravam apoio.

 

(*) Jornalista, Licenciado em História


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