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  A influência da moda no Folclore

Carlos Gomes(*)

Os grupos folclóricos constituem repositórios dos usos e costumes de uma determinada região ou localidade com referência a uma época que deve ser claramente identificada. Por conseguinte, desde que se apresentam trajados – e não apenas em palco – os seus componentes devem cuidar da sua aparência para que a representação que fazem seja coerente e, dessa forma, conferida de dignidade.

Sucede que, não raras as vezes, a postura de muitos elementos que os integram difere substancialmente no palco e fora dele, esquecendo-se que a sua missão não começa e termina no tabuado mas antes e depois da sua actuação, uma vez que continuam a exibir-se com os seus trajes característicos.

Em todas as épocas, as modas sempre exerceram influência sobretudo nos mais jovens. E, sendo os grupos folclóricos formados por pessoas que vivem o seu tempo e não propriamente a época dos seus ancestrais, a qual procuram representar, não podiam também deixar de serem permeáveis a tais influências. Assim, tempos houve em que os sapatos envernizados se misturavam com o traje tradicional e, sob o característico lenço sobressaiam as franjas do cabelo e exibiam-se cortes em voga nos anos sessenta. Mais ainda, as moças apresentavam-se frequentemente maquilhadas, de unhas pintadas e pestanas postiças, quando não mesmo de minissaia como sucedeu nalguns casos.

Tendo tais hábitos há muito passado de moda, essas manifestações parecerem agora ridículas aos olhos dos que actualmente integram os ranchos folclóricos, porventura mais sensibilizados para a necessidade de se preservar o que há de mais genuíno. Esquece-se, porém, que tal como se verificou no passado, continua a moda a pregar as suas partidas e o folclore não está incólume. E, se antes surgiram os sapatos de verniz, proliferam agora os sapatos de pala e de sola vulcanizada, as maquilhagens deram lugar a tatuagens, piercings e brincos nas orelhas, os penteados de franja aos rabos-de-cavalo exibidos pelos rapazes e – de todas a que presentemente mais se generalizou – os sofisticados e coloridos óculos rectangulares que são o último grito da moda!

Não reside o problema na sua utilização por parte das pessoas mas apenas na possibilidade dos mesmos não serem exibidos no contexto da actuação de um grupo folclórico, a partir do instante em que o mesmo se apresenta como tal ou seja, os seus componentes envergando os trajes que o identificam. E este aspecto é bastante mais relevante do que a utilização do respectivo estandarte, pese embora também este não constituir um elemento etnográfico.

Porém, erros existem que, tendo-se originado em épocas passadas, teimam em persistir nos tempos que correm, como sucede com a forma e o tamanho das saias propositadamente desenhadas para que a mulher possa exibir publicamente o que outrora apenas fazia na intimidade. E, numa era em que a utilização das novas tecnologias também faz moda, é ver repórteres de ocasião a registar nas suas câmaras autênticas longas-metragens de upskirt para uso privado ou mesmo para transmissão pública, em sessões contínuas através da Internet, como se de folclore tais exibições se tratassem. Pior ainda, tais imagens transmitidas até à exaustão, longe de promoverem o folclore, apenas o degradam e desprestigiam, ridicularizando os grupos folclóricos e apenas servindo os objectivos comerciais que quem as utiliza.

E, para dar um ar de grande mediatismo ao espectáculo de folclore, sugerindo que as suas imagens estão a ser captadas por uma qualquer estação televisiva para serem posteriormente transmitidas para todo o mundo e arredores, os pretensos cameramans, qual praga infestante a conspurcar o espectáculo, pululam insolentemente por entre os componentes dos ranchos folclóricos perante o olhar complacente e aparvalhado dos seus responsáveis.

Numa altura em que a imagem é de sobremaneira valorizada, importa que a mesma seja gerida de forma cuidada, com parcimónia, sob pena de denegrir aquilo que se pretende mostrar ou seja, o folclore e o próprio rancho que procura representá-lo. E, essa preocupação começa na forma como os seus componentes se apresentam, na sua postura em palco, mas também fora dele, através dos seus gestos e atitudes. Mais ainda, a gestão da imagem não deve permitir o seu registo distorcido nem a bagunça a que frequentemente se assiste, permitindo que qualquer vulgar charlatão, levando consigo uma câmara de vídeo, circule impunemente por entre os componentes de um rancho folclórico. São modas a que os grupos folclóricos devem estar imunes!

(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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