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O Folclore e a sua representação
- Musealização e Estilização
 

 

Carlos Gomes(*)

O advento da indústria na segunda metade do século dezanove arrancou à terra milhões de camponeses para engrossar as fileiras de um enorme exército de operários que asseguraram o funcionamento de grandes fábricas onde todos os bens passaram a produzir-se numa economia de escala.

Também aqueles que permaneceram na lavoura viram os seus hábitos de vida alterados. A partir de então, não necessitaram mais de cultivar o linho para produzir o seu próprio vestuário. Chegou a era do pronto-a-vestir e, toda a gente escolhe a sua roupa como o mancebo a sua farda. Produzida a partir de um figurino criado pelos desenhadores ao serviço da própria indústria, o indivíduo perdeu a sua individualidade para se misturar com a massa anónima, através dos hábitos, dos gostos, das ideias e até da forma de se exprimir.

Aos alimentos característicos da cultura de cada povo sobrepôs-se o fast-food e os refrigerantes à base de coca. Ao vestuário tradicional impôs-se os jeans. À diversidade das ideias estabeleceu-se a ditadura do pensamento único. À riqueza linguística dos povos obrigou-se o uso exclusivo da língua dominante. À liberdade das nações instituiu-se a supremacia do imperialismo e da sua ideologia. E, assim, o valor do PIB passou a constituir a razão principal da nossa existência miserável e a sobrevivência das nações a depender do balancete comercial como se de uma mera empresa se tratassem.

Por conseguinte, a representação do folclore – não confundir com o folclore propriamente dito! – apenas faz sentido se nos reportarmos a uma era pré-industrial uma vez que foi precisamente a industrialização que levou à padronização dos modos de vida, determinando o desaparecimento de costumes ancestrais que agora procuramos reproduzir, quanto mais não seja como forma de preservação da memória colectiva. Foi, aliás, tal preocupação que levou ao aparecimento das mais diversas entidades que se propuseram estudar o folclore, incluindo instituições científicas e grupos de folclore.

Se constitui nosso propósito identificar o que de mais genuíno existe no saber do povo, então teremos de recuar a uma época em que os seus costumes eram determinados por uma forma de viver que decorria ainda em moldes artesanais.

Em regra, a maior parte das representações do folclore que procuram reproduzir o mais fielmente possível tais costumes fixam a sua intervenção num período temporal situado nos finais do século dezanove, precisamente numa altura em que, para além da abundância da ilustração, surgiu a fotografia, o fonógrafo e a preservação de inúmeras peças de interesse museológico que nos permitem identificar com maior precisão os seus costumes. Naturalmente, por razões óbvias, a representação de épocas mais recuadas seria particularmente difícil, ainda que desejável.

Pretender reconstituir o passado a partir daquilo que foi apresentado em meados do século XX é o mesmo que copiar algo a partir de uma cópia já de si adulterada em lugar de se fazer a partir do original. E, quanto mais celebrizada se encontra tal cópia maior constitui a adulteração a que foi sujeita ao tempo em que serviu para dar uma versão estereotipada da fonte original ou seja, dos próprios usos e costumes do povo que constituem a essência do folclore!

A fim de evitar a reprodução dos erros de que a representação do folclore enferma, muitos dos quais já com foro de tradição, importa estudar e analisar os documentos coevos e os testemunhos directos das pessoas que viveram aquela época, seguindo uma linha de compreensão do enquadramento histórico e sociológico. A prática do copianço deve ser definitivamente colocada de parte.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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