[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub
Pub  
  Festivais de Folclore: é urgente repensar o modelo de organização!

Carlos Gomes(*)

Não existe grupo ou rancho folclórico que não organize, pelo menos uma vez ao longo do ano, um espetáculo geralmente a comemorar o aniversário da sua fundação e a que em regra identificam como sendo um “festival de folclore”. Desse modo, realizam-se um pouco por todo o país várias centenas, ascendendo porventura a mais de um milhar a quantidade de festivais de folclore, ainda que a esmagadora maioria não conte com a participação de mais dois ou três grupos além do anfitrião e, nem sempre representativos do folclore e etnografia.

Na realidade, os ditos festivais de folclore não são mais do que espetáculos de dança folclórica, nos quais, todos os grupos procuram invariavelmente mostrar as danças da sua região de proveniência, resumindo a tais exibições o riquíssimo património etnográfico do povo português. Em regra, os organizadores dos ditos festivais excluem da sua programação cante alentejano, colocando de parte a representação do Alentejo. Por seu turno, dada a sua especificidade, os grupos corais alentejanos tendem a promover encontros onde apenas a sua tradição marca presença, esquecendo-se de que a diversidade constitui uma das caraterísticas do folclore.

Para além do cante, o nosso folclore reúne uma grande diversidade de manifestações culturais e artísticas, grande parte das quais ainda desconhecidas da maioria do povo português. Lembro, a propósito, as “danças das virgens” e outras tradições da Freguesia de Lousa, em Castelo Branco e a enorme variedade de máscaras transmontanas, as comunidades piscatórias e de marnotos e as inúmeras tradições associadas à religiosidade e ao trabalho em todas as regiões do país.

As entidades organizadoras dos referidos festivais revelam pouca criatividade na organização dos seus espetáculos, limitando-se, na maioria dos casos, a reproduzir aquilo a que assistiram algures noutra localidade, da mesma forma que, em vez de se esforçarem por documentarem a sua própria representação, os seus trajes e o reportório, preferem frequentemente copiar sem critério aquilo que outros grupos fazem, apenas porque se tornaram famosos por algum motivo, sem se preocuparem de que o que imitam está realmente correto.

Apelar de festival de folclore um espetáculo de dança com a atuação de dois ou três grupos, deixando permanentemente de parte a representação de várias regiões do país e de certas comunidades, é, no mínimo, pretensioso. Com vista à valorização do folclore e da sua própria organização, tais entidades devem repensar os modelos a seguir, enriquecendo a sua programação e, eventualmente, fazendo-a coincidir com o calendário agrícola. Nas áreas urbanas, deve ter-se em consideração a constituição demográfica das localidades de modo a conquistar público para assistir ao espetáculo. E, sobretudo, importa acabar com a barreira artificial que, nos espetáculos de folclore, separa os grupos de dança dos corais alentejanos.

O folclore dispõe de matéria-prima suficiente para se produzir um espetáculo de grande qualidade, capaz de interessar largos setores do público. Mau grado as tentativas de o tornar mais atraente com a introdução de pequenos quadros teatrais, o atual figurino está demasiado visto e ultrapassado, não se revelando capaz de atrair mais público para além daquele que o segue com espírito missionário.

(*) Jornalista, Licenciado em História

Comentário: Há já algum tempo, foi colocado no Portal do Folclore Português um texto sobre a Organização de Festivais e Folclore, onde é afirmado o seguinte:

«Os Festivais de Folclore, independentemente da designação formal que possam assumir (Encontros, Mostras, Galas, Certames, Festas, etc.), são, essencialmente, manifestações públicas de arte tradicional popular, onde os Grupos participantes têm oportunidade de mostrar a todos os presentes as danças, cantares e instrumentos musicais, os trajes e adereços, assim como os usos, costumes e tradições características das respectivas regiões.

Ou seja, um Festival de Folclore não pode ser visto ou entendido como um tempo ou um espaço que permite a apresentação (apenas e em exclusivo) das danças, dos cantares e dos trajes regionais, mas é um momento onde também se pode e deve apresentar alguns usos, costumes e tradições. Uma cantiga característica de uma “malhada”, de uma “espadelada”, "desfolhada", etc., acompanhada por uma “representação visual” desse mesmo trabalho agrícola, cabe dentro de um Festival de Folclore e até o enriquece do ponto de vista etnográfico, desde que sejam respeitados os tempos atribuído a cada Grupo e a dinâmica do mesmo.

António Cabral escreveu um dia que "Um grupo folclórico (ou rancho folclórico, etnográfico) é por inerência da sua constituição uma força ao serviço da investigação, defesa e promoção dos valores patrimoniais da comunidade em que se insere, no campo específico das tradições orais (…).

Se quiser ler mais>>>

Textos de Carlos Gomes - Index>>>

Outros Textos e Opiniões >>>

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster