[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O saber não ocupa lugar >> Textos, Opiniões e Comentários Pub

Pub
 

Feiras Tradicionais conservam velhas usanças (1)  
 

Carlos Gomes(*)

Perde-se nos tempos a origem das feiras enquanto local onde os povos efectuavam as suas transacções e adquiriam bens que necessitavam e não produziam em troca dos seus próprios produtos, dando origem a uma classe de mercadores que passaram a viver exclusivamente dessa actividade.

As feiras tiveram desde sempre uma elevada importância não apenas devido ao incremento económico como ainda pelo seu contributo na circulação de ideias e do conhecimento de outras culturas. Elas adquiriram um particular relevo durante a Idade Média a tal ponto que a sua protecção era mencionada nos forais atribuídos pelos reis, sendo que o mais antigo que se conhece referente a uma feira medieval data de 4 de Março de 1125 e foi doado por D. Teresa à Vila de Ponte de Lima.

A par da actividade comercial decorriam espectáculos de saltimbancos e outros funâmbulos, músicos e toda a panóplia de representações próprias de cada época. As gentes das aldeias e outras povoações em redor constituíam-se em ranchos para se fazerem ao caminho, com as suas gigas e produtos para vender ou os animais presos à soga. Seguem pelos atalhos e, chegados ao local da feira, dispersam-se cada um com o seu destino e negócio em mente. Porém, existe sempre um local de encontro previamente estabelecido onde as gentes se reúnem os seus haveres, as compras que fizeram e, chegados ao fim do dia, se juntam de novo para regressar em rancho a suas casas.

Era na feira que tudo ou quase tudo se comprava e vendia, desde a ninhada dos pintos ao gado pesado, dos pequenos utensílios domésticos ao pesado carro de bois. Era ainda na feira que se contratavam os jornaleiros para os trabalhos agrícolas e, no final, se efectuava o pagamento dos seus serviços. Não admira, pois, a alusão feita pelos economistas neo-liberais às “leis do mercado”, pretendendo estabelecer um paralelo com um mercado onde as transacções eram feitas sem regulamentação social, incluindo o mercado do trabalho. Está bem de ver, uma concepção claramente retrógrada e desumana que se esconde sob a capa da liberdade e do progresso…

Em dia de feira, os trabalhos da lavoura resumem-se a dar o pasto aos animais e pouco mais. As moças aguardam ansiosas por este dia, vendo nele uma oportunidade de reencontro com os seus namoricos. Apesar da importância económica que ainda representam para muitas localidades, a feira é actualmente sobretudo um local de encontro, um pretexto para o convívio e um momento de lazer. Em face do crescimento da actividade comercial, incluindo a implantação de grandes superfícies com uma oferta bastante diversificada, as antigas feiras subsistem principalmente por força da tradição uma vez que recriam um ambiente que agrada particularmente ao povo e faz sempre recordar vivências que ameaçam desaparecer.

(*) Jornalista, Licenciado em História

Página seguinte >>>

Ver fotos>>>

 

Textos de Carlos Gomes - Index>>>
 
Outros Textos e Opiniões >>>

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster