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A Etnografia e as formas de reconstituição das tradições
 

 

Carlos Gomes(*)

Desde os começos do século XIX, a formação de ranchos folclóricos foi nas sociedades europeias e norte-americanas a forma preferida de representar as tradições de uma vivência social que desaparecia com o avanço da moderna sociedade industrial e o aumento da mobilidade das populações. Estes grupos, formalmente constituídos, tornaram-se numa espécie de formas musealizadas de conservação de um património popular uma vez que, na realidade, a preservação desses modelos sociais e culturais não é mais possível.

Nos Estados Unidos da América, foram ao ponto de reconstituir em reservas os modos de vida passados, em espaços visitáveis onde os figurantes são transportados para um tempo recuado, de modo a poderem representar o mais fielmente possível a sociedade vivida à época. Referimo-nos, claro está, a experiências museológicas e não a formas de conduta social de determinadas comunidades religiosas.

Ainda que os ranchos folclóricos possam representar outros aspectos etnográficos para além dos que mais directamente se relacionam com a dança, incluindo os cantares e os instrumentos musicais, a reconstituição é sempre algo limitada na medida que pouco vai mais além da exibição dos trajes e das alfaias, relacionando-as com o trabalho e outras actividades sociais. Pretende-se, com isto, afirmar que a representação do folclore pode ser feita por meio de outras formas de reconstituição, nomeadamente a recriação das feiras ou de qualquer actividade, tão próxima do meio natural como forma de prevenir eventuais anacronismos. Um mal, aliás, de que os ranchos folclóricos bastante padecem…

A recriação das desfolhadas e das malhadas, a reanimação de romarias caídas no esquecimento ou a reconstituição de feiras situadas num determinado espaço físico e temporal podem revelar-se formas mais elucidativas de representar os usos e costumes de uma região numa época determinada. E, em certos casos, tais iniciativas podem resultar numa combinação de diferentes formas de expressão artística, associando nomeadamente o teatro, o circo, a poesia, a dança e o canto num espectáculo único. Afinal de contas, à feira de raiz medieval acorriam, para além do povo e dos comerciantes, os jograis e toda a sorte de saltimbancos. E, na medida em que constituía o principal ponto para onde convergiam todos os grupos sociais e reflectia a organização da época, a reconstituição da feira pode espelhar com maior rigor as tradições já desaparecidas.

Os problemas que se lhe colocam são precisamente os mesmos com que se depara qualquer tentativa de reconstituição, inclusive através dos chamados ranchos folclóricos ou seja, a necessidade de identificar claramente os elementos contemporâneos e representar com o maior rigor os usos e costumes de uma época claramente identificada. Não faz o menor sentido, como frequentemente sucede, apresentar como autêntico aquilo que na realidade não o é, confundindo costumes e épocas diferenciadas, quando não sucede dar-se largas à imaginação…

E, finalmente, tal como sucede na romaria ao São João d’Arga, não incluir na representação o rancho folclórico enquanto tal uma vez que ele próprio constitui um anacronismo na medida em que, à época que se procura representar, ele próprio não existia!

(*) Jornalista, Licenciado em História


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