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Bombos de Lavacolhos - Fundão

 

Carlos Gomes(*)

Em plena Beira Baixa, a aldeia de Lavacolhos no concelho do Fundão destaca-se pelos seus conhecidos bombos que concorrem sempre para a solenização de todos os momentos importantes da sua vida colectiva.

Calculando-se que existem desde há mais de trezentos anos, os Bombos de Lavacolhos actuavam obrigatoriamente por ocasião da Festa do Senhor da Saúde que ocorre no terceiro domingo do mês de Agosto e ainda na véspera de Santa Luzia, festividade que tem lugar a 15 de Setembro, mas sempre à margem das celebrações litúrgicas.

O ritmo é cadenciado e violento mas de simples execução, não seguindo uma regra que obrigue à transmissão, de geração em geração, do seu saber, deixando antes à iniciativa do executante a liberdade da imitação. Aos jovens compete apenas a tarefa de se iniciarem na arte de tocar o bombo de modo a preservarem o rito tradicional. A arte de fazer rufar o bombo em Lavacolhos consiste em fazer ressoar a membrana de pele de cabra de forma ritmada, sendo característica a forma como o tocador conserva o pé esquerdo sempre à frente, suportando o bombo com a perna e fazendo-o saltar sempre que com a maceta lhe desfere violentas pancadas que o fazem ressoar de uma forma única. Aqui, ao contrário do que sucede noutras regiões do país, os bombos aparecem associados ao pífaro genuinamente beirão, o qual constitui o elo de ligação entre os restantes instrumentos, introduzindo-lhe uma componente melódica que lhe confere uma particular harmonia.

Também a caixa vem associada a estes ritmos predominantemente pastoris mas que não deixam de nos sugerir algo de marcial, quase a desvendar-nos segredos dos ancestrais povos lusitanos que ousaram desafiar a globalização então imposta pelo império romano. Ali se dança, em roda ou em fileira, ao ritmo das palmas ou dos estalidos produzidos pelos dedos em castanholas. Cantam-se composições de sabor medieval não obedecendo a qualquer norma estética estabelecida, mas em tom gritado a fim de possuir longo alcance e sempre retomado por um conjunto de vozes que lhe confere uma dimensão colectiva.

Oh ! Alto, Oh alto
Oh ! Alto, Oh alto
Quanto mais acima, maior é o salto
Larilolela, oh alto, oh alto

Oh! Ana vai ver
Oh! Ana vai ver
O fogo no mar e os peixes a arder
Larilolela, Oh Ana vai ver

Eu bem te dizia
Eu bem te dizia
Se não me amasses, eu logo morria
Larilolela, eu bem te dizia

(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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