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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» ROMANCEIRO >> Ribeira de Pena (Trás-os-Montes e Alto Douro) Pub


A costureira (*)

 


Trabalhou uma costureira,
O dia e a noite inteira,
Cheia de contentamento
Para deixar concluído
O seu lindo vestido
Que ia usar no casamento

De manhã umas raparigas,
Ternas amigas
Da sua infância
Trouxeram prendas vistosas
Formosas, rosas,
Com abundância.

Veio o noivo e convidados
Acompanhados
De jovens belas.
E sai o cortejo em frente,
Com muita gente,
Posta às janelas.

Foram os dois ao civil
Mas a união
É recusada.
Desmaia a noiva ao saber
Que o noivo tinha
Outra enganada.

No seu quarto se enfiou
E bem fechou
Por dentro a porta.
Tiveram que a arrombar
E lá dentro foram dar
Com a noiva morta.

O vestido que levava
Ó ai ó era
De seda branquinha
Dizia a mãe da janela
Ó ai adeus
Querida filhinha.

O manto que ela levava
Ó ai ó era
De seda amarela
Ó ai adeus
Ó filha donzela.

E as raparigas amigas
Choravam do coração
E as flores do casamento,
Com grande lamento,
Espalharam sobre o caixão.

E os rapazes que a levavam
Todos choravam
Cheios de dor.
Já morreu a Conceição,
Foi de paixão,
Por causa do seu amor.

(*) In Monografia do Concelho de Ribeira de Pena, 1995
 

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