Danças Etnográficas
Durienses
(*)
«A dança
etnográfica é vida. E vida sem gesto é maneta e perneta.
A Etnografia, em termos de dança, é traje, música,
ritmo e gesto. Vou referir um pouco o gesto.(...)
A dança quando etnograficamente verdadeira é um palco
de vida.
Gostaria de referia as belíssimas danças durienses com
o bater dos pés a lembrar a "pousa" e a subida aos socalcos e com o
gesto largo e balanceado dos homem das redes e do rio.(...)
Ao falar da dança etnográfica alto-duriense devo dizer
que ela não escapa à destruição que por aí campeia como praga ou
epidemia.
Grupos que se atribuem de Ranchos Folclóricos e nós não
vemos de onde é o Folclore. O traje, a música, o ritmo e o gesto não
dizem de onde são ou até dizem que não são.
Certos responsáveis chegam ao cúmulo de arranjarem
letras e músicas de sua lavra. São inimigos piores do que a discoteca, e
também não vou rir, pois ninguém se deve rir de coisas sérias.
Dentro de alguns anos, os etnólogos vão ter tremendas
dificuldades em separar o que é bom do que cheira mal...
Haja muito Folclore, mas do verdadeiro! Que possamos
ver no traje, na música, no ritmo e no gesto a história do nosso povo!
Que possamos ver as nossas raízes, afinal!»
(*)
In Subsídios Históricos e Etnográficos do Alto Douro, Luís Morais
Coutinho, 1995, pp15-16 |
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