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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Lenda de Nossa Senhora do Espinheiro (Seia)

Nesses tempos da moirama, havia em terras lusitanas um cavaleiro andante, audaz e guerreiro, destemido e ousado.
Rezam as crónicas que foi famosa sua memória... Rebrilhou em mil batalhas sua espada fulgurante, sulcou rasgões de sangue nas fileiras mouriscas e, em Ourique, dominou, intrépido, cinco reis sequazes de Mafamede!...

Queimado na energia agreste do vento e do sol, cavaleiro medieval, sua alma ardente, sonhadora, caldeou-se indómita ao fragor bélico e ao luzir do aço.

Naquela manhã de Setembro, de aragem fria para as bandas da serra, D. Afonso Henriques, rei de Portugal, cavaleiro andante das terras de Viriato, apeou-se do corcel às portas de Sena.

Numerosa cavalgada o segue: homens de armas, infantes, fidalgos da côrte, os grandes todos de Portugal jovem...

O Alcaide-mor de Sena entrega, em salva de prata, as chaves pesadas do castelo heróico que Fernando Magno ergueu e foi baluarte contra os mouros. Rude e sinceramente, o Alcaide, genuíno ramo de Viriato, beija as mãos do primeiro rei de Portugal.
Ele sabia-as por serviço de Deus e da grei, banhadas em sangue, no silêncio dos arranques bravos das pugnas, realizando no chão dos lusos o milagre da sonhada independência...

A vida da Pátria preparava-a a espada de D. Afonso Henriques nessas horas imortais de altura, de sacrifício e de sangue.
Porque vinha de Guimarães às terras de Sena tão luzido acompanhamento? Era a serra dos Hermínios abundante em caça.  
E o rei de Portugal, afeito às pelejas mouriscas, era certeiro nas flechas e rápido nas lançadas. A caçada prometia abundância e variedade. Eram destros os atiradores, leves os corcéis e ágeis os rafeiros...

À comitiva juntaram-se os fidalgos de Sena. A trepada dos montes escalvados e íngremes decorria em folgazã alegria e mais de um caçador emérito experimentara já pelos relvados e fraguedos a certeza da sua dextra.

A comitiva dispersa-se pelas encostas da serra, desce aos valados, embrenha-se nos pinhais, bate as urzes e escala os escuros fragões... Surge a caça abundante e nédia e alegram-se os caçadores...

O olhar dos vimaranenses perde-se na vastidão imensa, deslumbra-se com a distância e até o rei de Portugal se sente remoçado e fresco, respirando ofegante, longe das hostes inimigas transtaganas e aqui mais perto de Deus que fortalece o seu braço.
Caminha agora na planura. Segue de perto rastos de caça. Vai só, atento o olhar de lince no animal que persegue. Mas, ó céus! De repente o rei D. Afonso Henriques estaca diante dum silvado de agrestes espinheiros... O que faz ficar assim estupefacto o rei de Portugal? É uma alcateia de lobos corpulentos, boca escancarada, goela hiante, dentes sanguíneos e famintos, olhos a fuzilar, que espreitam...

Impossível fugir às feras, impossível clamar por socorro dos da comitiva, dispersos pelos pinhais e ravinas. Neste apertado transe, D. Afonso Henriques implora à Virgem dolorosa, pelas dores e martírios que sofreu tendo seu bem amado Filho nos braços, descido da Cruz, a libertação de tão iminente e cruciante perigo.

E os lobos, uivando ferozmente, retiram-se, arrastados por força misteriosa e invisível, para as penedias gigantescas da serra onde têm suas escuras cavernas.

Mais uma vez a Virgem Maria tinha protegido maternalmente com a sua poderosa mão e abrigado na orla do seu manto, o grande rei português. Para perpétua memória de facto tão insólito e miraculoso, D. Afonso Henriques mandou levantar a ermida de Nossa Senhora do Espinheiro que se ergue, donairosa, no planalto, a meio caminho entre Seia e o Sabugueiro, a aldeia mais alta de Portugal.

O cenário é rude a mil metros de altura, eriçado de penhascos, beijado pelo vento.

No Inverno, quando a neve rebrilha nos píncaros das massas ciclóplicas, ela vem docemente cobrir com diáfano manto o telhado da ermida românica da Senhora do Espinheiro.

Lá se adora a Mater Dolorosa, imagem artística e veneranda, esculpida no granito duro, desafiando no volver dos séculos, em plena serra, os furores da tempestade e o rugir da procela.

Fonte

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