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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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O Açor e o Príncipe

Ali muito perto de Celorico da Beira, na aldeia de Açores, existe uma antiga e bela igreja gótica que tem por patrona Nossa Senhora dos Açores. Lá dentro, três antigos retábulos rememoram milagres, os que vou contar e o povo guardou na primitiva ermida, que construiu, e um rei comemorou na igreja que sobre ela erigiu.

Um dia, andava um pastor a pastorear as suas vacas, quando uma delas e tresmalhou e caiu a uma lagoa. Atirou-se o homem à água, sem pensar que não sabia nadar, para tentar recuperar o animal. Aflito, em riscos de se afogar, suplicou veemente o auxílio da Virgem, e tanta fé pôs no seu pedido que Nossa Senhora apareceu-lhe, salvando-o a ele e à vaca.

Radiante e agradecido à Senhora que o salvara, correu o pastor à aldeia a contar o milagre, e o povo imediatamente acorreu ao local, com a ingenuidade e credulidade que é seu apanágio. Segundo conta a lenda, no local do salvamento miraculoso, semiescondida entre silvas, encontraram uma pequena imagem da Virgem. E, para guardarem a imagem e perpetuarem o milagre, ergueram ali uma pequena ermida.

Em pouco tempo, o local e a ermida tornaram-se ponto concorrido da região, porque muitas foram as mercês e milagres operados pela imagem devota. Tão longe foi a sua fama que chegou a terras de Espanha.

Reinava então em Espanha um rei desesperado. Casado há muito tempo, não conseguia a dádiva de um filho que o perpetuasse como homem e continuasse como rei. Assim cheio de fé, no seu palácio, implorou `Virgem daquela aldeia longínqua de Portugal a benesse de um herdeiro. E também a ele a Virgem concedeu a mercê pedida, só que – sabe-se lá por que pecado antigo – a criança nasceu aleijada e extremamente fraca.

No meio da imensa alegria pelo filho nascido, o aguilhão de dor provocado pela enfermidade da criança não fez esmorecer a fé daqueles reis. Pegando no menino recém-nascido, iniciaram uma romagem, morosa e dolorosa à ermida da Nossa Senhora das suas devoções. Iam agradecer o herdeiro e suplicar remédio para a doença daquela criança sua esperança, esperança do reino.
Durante a viagem, porém, a criança, que era tão fraca, morreu. Quiseram tirar o corpito dos braços da Rainha, mas ela, cheia de fé, continuou a sua jornada com o filho nos braços: tinha prometido a Nossa Senhora que só a ela o entregaria.

Chegada a comitiva à ermida, armou-se o acampamento real. A Rainha foi logo depor o corpo do infante no altar da Virgem, enquanto o Rei ficava dando ordens para que fizessem as exéquias.

Sucedeu, entretanto, que um Monteiro do Rei, transgredindo as ordens, soltou o seu açor. Num segundo, a bela ave sulcava os céus em liberdade, voando para longe, para o alto dos penhascos, de onde jamais voltaria sem dúvida. O Rei, furioso, ordenou que cortassem o braço do Monteiro transgressor.

Este, por sua vez, convicto da sua falta, implorou protecção à Virgem, arrependido sinceramente do acto irreflectido. Perante a sua fé simples, a Virgem não faz esperar a resposta: inverte o voo ao açor, que, descendo em círculos, vem pousar na mão que ia ser cortada, renunciando à liberdade que ansiara.

Ao mesmo tempo, dentro da ermida onde a Rainha velava o corpo do infante, uma luz desceu sobre a criança, que abrindo os olhos, sorriu à sua volta, tornando à vida, livre do defeito com que nascera. A uma grito da Rainha, o Rei, que observava o insólito facto do retorno do açor, entrou correndo na ermida, atempo de presenciar os primeiros revagidos de seu filho. Louco de alegria, o Rei ali mesmo prometeu erguer uma igreja, mais digna da miraculosa Senhora. Deste modo se construiu a igreja hoje existente, e que, em memória do duplo milagre, ficou a chamar-se de Nossa Senhora dos Açores.

Fonte

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