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PRESUNTO DE BARRANCOS
Entre as 58 Denominações de Origem Protegida nacionais, o presunto de Barrancos é único pelo modo de produção e ainda mais pelo sabor…
 


Estamos perante um caso raro no extenso e valioso painel de enchidos portugueses. É um dos poucos produtos de salsicharia que não é fumado durante a fase da cura, mas apenas seco. O presunto de Barrancos, tal como a paleta (mão do porco), tem a particularidade de não ser sujeito a qualquer exposição ao fumo para obter o ponto de maturação. Além de Barrancos só em Portalegre é que o lombo branco (IGP) tem uma cura semelhante. Cada pernil fresco pesa entre seis a 11 quilos, conforme o porco. Depois da salga, que dura cerca de um dia por cada quilo de carne, os pernis são lavados e colocados em câmaras de frio com controlo de temperatura e humidade entre um mês a um mês e meio.

O Inverno é crucial para que todo o processo decorra em ambientes frios. A secagem é a parte final. Os pernis são colocados em salas ventiladas com humidade relativa. Estas caves alcançam temperaturas entre os 18çC e os 35ºC no decorrer do ano, o que provoca a sudação das peças e permite a distribuição da gordura. Após um mínimo de seis meses de cura os presuntos, com cerca de cinco quilos, adquirem um aroma característico e sabor delicado, rico em ácido oleico (54%), componente gordo que também representa 80% da constituição do azeite.

O microclima local, devido á proximidade da Serra Morena, do rio Ardila e da ribeira de Murtega, é complementado pela sabedoria dos barranquenhos. Ao longo dos tempos os porcos da raça Sus mediterraneus, que cresceram nos montados, deram origem á subespécie Sus ibericus, conhecida como raça alentejana. No período da montanheira, entre Outubro e Fevereiro, os porcos já desmamados começam a alimentar-se nas planícies de sobro e azinho. Comem diariamente mais de sete quilos de bolota, que enriquece a carne com o tal ácido oleico e lhe dá um paladar único.

Não se sabe quando se iniciou a criação de porcos na região, mas desde o século XVI que a qualidade do montado barranquenho está registada. Em 1513, D. Manuel I deu o Foram à vila de Noudar, que na época regia a então aldeia de Barrancos. O rei estabeleceu multas entre os 100 e os 1000 reais para quem cortasse ou queimasse qualquer árvore do montado rico em ervagem, bolota e lande. A preocupação régia só foi reconhecida 450 anos depois, quando as pastagens começaram a ser exploradas em meados do século XX. Mas mais vale tarde que nunca…


Passaporte gastronómico

Nome: Presunto de Barrancos DOP
País: Portugal
Morada:
Distritos de Beja, Castelo Branco, Èvora, Portalegre e Setúbal para a criação dos porcos. Concelho de Barrancos (Beja) para a secagem dos presuntos.
Data de nascimento: Século XVI
Particularidades:
O presunto é seco em ambiente natural e não fumado. O período mínimo de maturação é de seis meses. A partir de 20 meses de cura é considerado ‘reserva’.

Texto de Fortunato da Câmara e foto de Helena Garcia - Essencial/SOL
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