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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» Ciclo litúrgico anual > Dia de Finados ou Fiéis Defuntos (2 de Novembro) Pub
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  Dia de Finados ou Fiéis Defuntos (2 de Novembro)

“(…) O dia 2 de Novembro era o dia de Finados. De véspera ainda, as mulheres dirigiam-se ao cemitério para enfeitarem as suas campas, mausoléus ou jazigos com ramos, flores, panos e velas, em tigelas, círios ou castiçais. Em Carlão (Alijó) colocavam lá também um vaso com água-benta, para que os amigos do falecido que a+i quisessem rezar pudessem aspergir o seu túmulo com uma ramo de oliveira. Já no dia, de manhã cedinho, havia na igreja um terno de missas pelas almas que ainda sofressem no Purgatório. Quase ninguém faltava. Em Larinho (Torre de Moncorvo) cantava-se, durante a derradeira missa, este cântico:

Triste dia em que o mundo
Deverá ser abrasado,
Por David profetizado,
Naquele abismo profundo.

Nem sois terra nem sois pó,
Nem sois cinza nem sois nada,
Sois uma triste caveira
Que o mundo traz enganada

Lá vai o juiz p’ró trono,
Lá vai dar sua sentença,
Ditosa daquela alma
Que tem feito penitência.

Abre-te, ó livro selado,
Onde tudo está escrito,
Lá não há-de escapar nada,
Nem o mais leve delito.

Pecador, que vais passando,
Reflecte bem como estou,
Eu já fui como tu és,
Tu serás como eu sou.

Concluído o terno, os participantes encaminhavam-se, em cortejo, para o cemitério paroquial. Era a procissão das Almas. Em Vila Real, a procissão, que antes se fazia dentro do recinto do cemitério de São Dinis, começou em 1926 a fazer-se a partir da Sé e presidida pelo Bispo. Chegados aos campo-santo, o sacerdote lia solenemente os responsos pelo falecidos. Para tal fim se colocava, em algumas terras, durante as missas, um pequeno cesto para recolher dinheiro para eles. No fim da cerimónia, o povo rezava pelos seus defuntos.

Dizia-se em Coura (Armamar) que, no dia 2 de Novembro, as almas vinham pernoitar ao cemitério onde estavam sepultados os corpos que foram seus.(…)”

In Alto Douro – Terra de vinho e de gente, A.L. Pinto da Costa, Edições Cosmos, 1997


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