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»» Cancioneiros Populares - MINHO Pub


«C
ancioneiro da Serra d'Arga»
Quadras Populares

Recolha levada a efeito na Serra d'Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por ARTUR COUTINHO.

 

NOTA EXPLICATIVA (extracto)

(...) Trata-se de uma colectânea de cantigas que, em tempos não muito remotos, eram na maioria adágios, provérbios, adivinhas, encantamentos, desejos, desafios em verso, etc., cantados na região da Serra d'Arga, tanto nos trabalhos do campo, como nas romarias, nos bailes ou nos domingos à tarde.

Algumas destas quadras têm características medievais, não só pelo uso dum certo paralelismo

Milho alto, milho alto
Milho alto, folha estreita
À sombra do milho alto
Namorei uma sujeita
 
Milho alto, milho alto
Milho alto, folha larga
À sombra do milho alto
Namorei uma casada
Milho alto, milho alto
Milho alto, sem pendão
À sombra do milho alto
Namorei teu coração.
Ó que pinheiro tão alto
Com um fio de ouro na ponta
Os teus olhos, menina
Já andam por minha conta
 
Ó que pinheiro tão alto
Com um fio de ouro no meio
Ó que menina tão linda
Filha de um homem tão feio.
Algum dia para te ver
Dava saltinhos na rua
Agora dou dinheiro
Para não ver a sombra tua
Algum dia para te ver
Dava voltinhas no ar
Agora dou dinheiro
Para não te encontrar
 

mas também pelos arcaísmos nelas usados e, quem sabe, representando conceitos milenários, rolados nas bocas das gentes, através da poesia.

É um apontamento curioso para os estudiosos da cultura popular. Aqui fica um naco de filosofia e de arte populares que se vão acabando...
 

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Fonte: acoutinhoviana

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