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Olaria
Olaria diz-se da arte de oleiro que é relativa a “panelas”, de barro.
Para o povo transmontano, a Olaria passa, não só, pela componente
decorativa, como também se afirma como utilitária, exprimindo-se em
formas simples e funcionais.
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Faça-se especial destaque para a “louça preta de Bisalhães”, pertencente
ao concelho de Vila Real, datando as primeiras peças de 1722.
O processo de fabrico continua a ser manual: os pelões de barro são
transformados em pó, com um pico de madeira; o pó é peneirado, para lhe
serem retiradas as impurezas e, seguidamente, misturado com água, até se
atingir a ligação perfeita. Depois começa o lento rodopiar da roda de
madeira, impulsionada pelo pé [ou pela mão] do artesão.
O que vai realmente determinar a cor e a peculiaridade desta louça, está
no forno e nos métodos de cozedura. No forno são introduzidas as peças,
colocadas sobre uma grelha e cobertas com ramas de pinheiro verde a
arder. Para impedir a libertação de fumos, o forno é abafado com uma
camada de terra, musgo e caruma – pormenor que faz a diferença, sem ela
a louça ficaria vermelha.
Uma vez cozidas, as peças são alisadas com um seixo e decoradas ao gosto
e paciência das mulheres. Aparece com apresentação mais simplista, a
chamada louça churra, de carácter utilitário, cujas características
permite restabel ecer os sabores tradicionais da cozinha portuguesa e
transmontana. Os seus materiais naturais, não utilizando nem o vidrado,
nem a pintura, impedem qualquer tipo de interferência no paladar dos
alimentos.
Outro ponto do distrito, com alguma tradição de barro negro é Vila de
Nantes [Chaves], com a particularidade da louça ser fundamentalmente
churra, perfeitamente adequada às necessidades do quotidiano. Vilar de
Nantes adoptou todo o
processo de Bisalhães e realiza peças típicas de
barro negro com os mesmos métodos e mestria. |