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Trás-os-Montes e Alto Douro apresenta-se-nos como uma província de
ruralidade acentuada, onde as lides campestres fazem parte essencial da
especificidade do seu povo. E é assim que este povo desenvolve uma veia
artística, fundamentada na necessidade premente de dar resposta às
exigências do meio e das suas relações de troca.
O processo é simples: depois da escolha do material, em geral
castanheiro bravo, procede-se ao corte, põe-se de molho, para o tornar
mais maleável e fácil de moldar, e surge o entrelaçar que, juntamente
com o engenho do criador, faz nascer o artefacto.
Com alguma tipicidade surge o “cesto vindimo”, característico da
Região
do Douro, sinónimo, por excelência, da lide do vinho. Num esforço
hercúleo, o homem carrega-o às costas, transportando cerca de 50 quilos
de uvas, e a natureza compensa-o com um néctar suave e divino,
inigualável em qualquer outra parte do mundo.
Faça-se também especial destaque para o “cesto da merenda”, um legado
que não se perdeu no tempo. Ainda hoje, eles comportam as refeições,
habitualmente consumidas pelos trabalhadores rurais, levadas ritualmente
a meio da manhã e ao almoço. |